Desenvolvido e publicado pela Aspyr, The Lord of the Rings: War in the North é um RPG de ação ambientado no universo de O Senhor dos Anéis. Lançado originalmente em 2011 para PlayStation 3, Xbox 360 e PC, o jogo agora retorna em The Lord of the Rings: War in the North – Legacy Edition, para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2.
E talvez a palavra que melhor defina esse retorno seja segunda chance. Isso porque War in the North nunca teve exatamente uma vida fácil.
Lançado apenas dez dias antes de The Elder Scrolls V: Skyrim, o RPG chegou ao mercado em um dos momentos mais complicados possíveis para qualquer jogo do gênero. Segundo relatos recentes de Christian Allen, então diretor de design da WB Games Seattle, a própria equipe havia alertado a Warner Bros. sobre os riscos de colocar o título tão próximo de um dos RPGs mais aguardados daquela geração.
O lançamento, porém, seguiu adiante. O resultado foi um jogo que acabou passando despercebido por boa parte do público. Quinze anos depois, War in the North retorna para tentar corrigir um pouco dessa história.
Mas existe algo interessante nessa nova edição: ela não tenta transformar o jogo em algo que ele nunca foi. Não temos aqui um enorme mundo aberto, centenas de missões secundárias ou um RPG moderno tentando competir com produções gigantescas.
War in the North é muito mais simples. É um RPG de ação linear, construído em torno de combate, evolução de personagens, equipamentos e, principalmente, cooperação. E talvez seja justamente essa simplicidade que faça o jogo continuar funcionando.
Graças a Assessoria de Imprensa da Whitethorn Games podemos jogar The Lord of the Rings: War in the North – Legacy Edition na versão para Nintendo Switch 2. Esta gameplay pode ser vista ao final deste artigo.
Uma aventura escondida na Terra-média
Um dos maiores acertos de War in the North está na maneira como a aventura utiliza o universo criado por J.R.R. Tolkien. Em vez de simplesmente recontar os acontecimentos dos filmes ou colocar o jogador para repetir a jornada da Sociedade do Anel, o jogo escolhe outro caminho.
Enquanto Frodo e seus companheiros seguem em direção a Mordor, uma ameaça cresce em outra região da Terra-média. Agandaûr, um poderoso servo de Sauron, pretende abrir uma nova frente de batalha no Norte e enfraquecer as forças que ainda resistem ao avanço do Senhor do Escuro. É nesse cenário que conhecemos os três protagonistas da aventura: o patrulheiro humano Eradan, a elfa Andriel e o anão Farin.
A escolha desses personagens funciona muito bem. Eles não tentam substituir Aragorn, Legolas ou Gimli. São heróis próprios, vivendo uma história que acontece ao mesmo tempo que aquela que já conhecemos. Isso cria a sensação de estar acompanhando um capítulo perdido da Guerra do Anel.
Você reconhece aquele mundo, alguns lugares, criaturas e acontecimentos, mas existe também uma sensação constante de descoberta. E essa é uma das características que ajudam War in the North a construir sua própria identidade.
Três heróis, três maneiras de jogar
A estrutura da aventura gira completamente em torno dos três protagonistas. Eradan é o personagem mais equilibrado do grupo. O patrulheiro consegue lutar de perto, utilizar arco e flecha e recorrer a habilidades relacionadas à furtividade. Andriel ocupa o papel mágico. A elfa possui ataques à distância, habilidades de suporte e recursos capazes de controlar grupos de inimigos. Já Farin representa a força bruta.
O anão suporta mais dano, utiliza armas pesadas e funciona naturalmente como a linha de frente durante os combates. Essa diferença entre os personagens é importante porque eles não são apenas três modelos diferentes usando exatamente o mesmo sistema.
Cada um possui habilidades próprias e uma árvore de progressão que permite desenvolver diferentes estilos de jogo. É uma estrutura simples, mas eficiente.
A melhor mudança da Legacy Edition
Uma das alterações mais interessantes da Legacy Edition interfere diretamente na campanha solo.
No jogo original, quando você jogava sozinho, boa parte da equipe dependia da inteligência artificial. Agora, a edição permite alternar entre os três personagens durante a campanha. Pode parecer apenas uma pequena mudança, na prática, faz bastante diferença.
Encontrou um grupo de inimigos mais resistentes? Farin pode assumir a frente.
Precisa eliminar adversários à distância? Eradan pode entrar em ação.
O campo de batalha está cheio de inimigos? Andriel consegue utilizar suas habilidades mágicas para controlar a situação.
Essa possibilidade deixa a aventura mais dinâmica e reduz um pouco a dependência da inteligência artificial, que continua sendo um dos pontos mais frágeis da experiência.
Também existe uma sensação maior de que você realmente está comandando uma companhia de três heróis, em vez de simplesmente controlar um personagem enquanto os outros acompanham.
Um RPG de ação com espírito de hack and slash
Se existe uma maneira simples de explicar a estrutura de War in the North, eu diria que ele está muito mais próximo de um Diablo em terceira pessoa do que de um RPG tradicional de mundo aberto.
A fórmula é direta: Avançar. Enfrentar inimigos. Encontrar equipamentos. Melhorar o personagem. Desbloquear habilidades. Continuar avançando.
É uma estrutura que pode parecer simples demais para os padrões atuais, mas existe uma qualidade importante nisso: o jogo sabe exatamente o que pretende entregar.
Não existem dezenas de sistemas tentando aumentar artificialmente a duração da campanha. O foco está no combate e na progressão. E, quando esses dois elementos funcionam, o ritmo da aventura permanece agradável.
É um jogo que dificilmente surpreende pela complexidade, mas também não precisa disso.
Combate divertido, mas marcado pelo tempo
É impossível analisar War in the North sem lembrar que estamos falando de um jogo lançado em 2011.
Quinze anos fazem diferença. O combate ainda funciona, mas algumas limitações da geração PlayStation 3 e Xbox 360 continuam bastante visíveis. Os ataques possuem impacto razoável, os personagens apresentam movimentos diferentes e as habilidades especiais ajudam a quebrar a repetição.
Por outro lado, algumas animações são rígidas, a movimentação não possui a precisão encontrada nos RPGs de ação atuais e, depois de algumas horas, a estrutura começa a revelar sua repetição. O jogo tenta compensar isso através da variedade de personagens, habilidades e equipamentos.
E funciona até certo ponto. Não estamos diante de um sistema de combate revolucionário, mas ele é suficientemente divertido para sustentar toda a campanha.
O cooperativo continua sendo o coração do jogo
Se existe um elemento que faz War in the North continuar interessante tantos anos depois, é o cooperativo. A campanha foi pensada para até três jogadores, permitindo que cada pessoa controle um dos protagonistas. É nesse momento que as diferenças entre os personagens ficam ainda mais interessantes.
Farin pode chamar a atenção dos inimigos enquanto Eradan ataca de longe. Andriel pode oferecer suporte enquanto os outros dois seguram a linha de frente.
Cada jogador passa a desempenhar uma função dentro do grupo. É uma estrutura simples, mas funciona muito bem.
War in the North não precisa ser o RPG mais sofisticado do mercado quando três pessoas estão jogando juntas. A diversão nasce justamente dessa cooperação.
A Legacy Edition preserva essa proposta, mantendo as opções cooperativas que ajudaram a diferenciar o jogo na época.
Nintendo Switch: finalmente na palma da mão
A chegada ao Nintendo Switch tem um significado interessante. Em 2011, War in the North estava disponível para PC, PlayStation 3 e Xbox 360, com uma versão para Mac posteriormente.
Agora, pela primeira vez, a aventura entra oficialmente no ecossistema Nintendo. E existe uma combinação natural entre a estrutura do jogo e a proposta do Switch.
A campanha é linear, as missões possuem objetivos claros, a progressão é relativamente direta e as sessões de jogo funcionam muito bem no modo portátil. O problema está na apresentação. O Switch não consegue esconder a idade do projeto.
Texturas, modelos, efeitos e animações denunciam imediatamente que estamos diante de um jogo originalmente desenvolvido para outra geração. Em uma televisão moderna, algumas dessas limitações ficam ainda mais evidentes.
Não é uma versão que impressiona pela tecnologia. É uma versão que impressiona pela conveniência. Poder retirar o console do dock e continuar uma aventura de O Senhor dos Anéis em qualquer lugar é uma possibilidade que o jogo nunca teve quando foi lançado. E isso muda bastante a relação com ele.
Nintendo Switch 2: uma adaptação que ganha fôlego
É no Nintendo Switch 2 que a experiência realmente ganha força dentro do ecossistema Nintendo. A versão apresenta uma experiência mais fluida, com alvo de 60 quadros por segundo, embora existam relatos de pequenas oscilações em determinadas situações.
Também é importante deixar claro que o Switch 2 não coloca War in the North no mesmo nível visual das versões para PlayStation 5 e Xbox Series X. Resolução, sombras e definição de texturas ainda podem apresentar diferenças em relação às plataformas mais poderosas. Mas o ganho de fluidez faz diferença principalmente durante os combates. Movimentar o personagem, reagir aos ataques e controlar os confrontos fica mais agradável quando a experiência apresenta maior fluidez.
Existe ainda o principal diferencial da plataforma: poder alternar entre televisão e portátil. Começar uma campanha na televisão e continuar depois no portátil combina muito bem com a estrutura do jogo.
Para quem gosta de RPGs de ação e possui um Switch 2, essa flexibilidade acaba sendo uma das maiores vantagens da versão.
Um pequeno problema com o áudio
Nem tudo é perfeito nessa nova versão. Alguns jogadores relataram problemas relacionados ao volume do áudio, especialmente no modo portátil do Switch 2. Também existem relatos de pequenas inconsistências de desempenho e apresentação.
Como se trata de um relançamento recente, atualizações podem corrigir parte dessas questões. Ainda assim, é algo que merece ser mencionado.
Não chega a comprometer a experiência inteira, mas é justamente o tipo de detalhe que poderia ter recebido mais atenção em uma edição criada para resgatar um jogo antigo.
Gráficos: o passado ainda está aqui
Visualmente, War in the North não consegue esconder seus quinze anos. Modelos de personagens, texturas, efeitos e animações pertencem claramente a outra geração.
E é importante entender o que a palavra Legacy Edition significa neste caso. Não estamos diante de um remake, nem de uma reconstrução completa. A base continua sendo o mesmo jogo de 2011, agora com melhorias e ajustes para plataformas atuais. Por outro lado, a direção artística ainda ajuda bastante.
A Terra-média apresentada pelo jogo possui uma variedade interessante de ambientes: florestas, fortalezas, cavernas e regiões dominadas pelas forças de Sauron.
Essa diversidade impede que a aventura se torne visualmente cansativa. O problema não está necessariamente no desenho desses lugares, mas na tecnologia usada para representá-los. E isso é algo que nenhum aumento de resolução consegue esconder completamente.
Uma trilha sonora que envelheceu bem
A trilha sonora composta por Inon Zur é um dos elementos que melhor resistiram ao tempo. As músicas ajudam a criar a sensação de aventura e perigo sem depender constantemente das composições dos filmes.
Os efeitos sonoros também cumprem bem seu papel, principalmente durante os combates. Mas existe algo ainda mais interessante na atmosfera. War in the North consegue transmitir a sensação de estar dentro da Terra-média sem precisar colocar personagens conhecidos em todas as cenas.
A aventura possui sua própria identidade, algo importante para uma história que acontece paralelamente aos eventos principais.
O que realmente mudou na Legacy Edition?
A Legacy Edition não tenta reinventar War in the North. A proposta é melhorar a experiência original e remover algumas das limitações mais incômodas.
Entre as mudanças estão:
- Possibilidade de alternar entre os três personagens na campanha solo;
- Sistema de mira e travamento de inimigos aprimorado;
- Interface reformulada;
- Barras de vida e mana mais claras;
- Sistema de autosave;
- Melhorias de qualidade de vida;
- Correções de bugs;
- Suporte a controles por movimento;
- Melhorias gerais de acessibilidade e navegação.
Nenhuma dessas mudanças transforma o jogo em uma experiência completamente diferente. E nem deveria. O objetivo aqui é fazer com que um RPG de ação de 2011 funcione melhor em 2026.
Nesse aspecto, a Legacy Edition cumpre seu papel. Ela não tenta apagar o passado. Apenas torna esse passado um pouco mais confortável de revisitar.
E as outras versões?
Para quem não está limitado ao ecossistema Nintendo, existem algumas diferenças importantes.
No PlayStation 5 e Xbox Series X, o hardware mais poderoso permite uma apresentação mais próxima do que esperamos de uma plataforma atual. No PC, existe naturalmente uma flexibilidade maior para configurações e desempenho.
O Switch 2, por outro lado, possui uma vantagem que essas plataformas não oferecem da mesma maneira: portabilidade. E, para um jogo linear, cooperativo e dividido em missões relativamente diretas, isso combina muito bem. Se a prioridade for buscar a apresentação técnica mais avançada, as plataformas mais poderosas possuem vantagens claras.
Já dentro do ecossistema Nintendo, o Switch 2 equilibra desempenho e praticidade de maneira bastante interessante.
Vale a pena em 2026?
A resposta depende muito do que você espera encontrar. Se a expectativa é jogar um RPG moderno, visualmente impressionante, com um enorme mundo aberto e dezenas de possibilidades, War in the North provavelmente vai parecer limitado.
Mas se a proposta for encontrar um RPG de ação direto, cooperativo e ambientado no universo de O Senhor dos Anéis, a Legacy Edition tem bastante a oferecer. Principalmente porque existe algo especial em revisitar jogos que ficaram esquecidos.
War in the North não precisa competir com Skyrim, Elden Ring ou os grandes RPGs atuais. Ele só precisa continuar sendo divertido. E é justamente aí que o jogo ainda consegue surpreender.
Pontos positivos
- História paralela aos acontecimentos de O Senhor dos Anéis;
- Três personagens com estilos de jogo distintos;
- Cooperativo continua sendo um dos grandes diferenciais;
- Possibilidade de alternar entre personagens melhora bastante a campanha solo;
- Progressão de RPG simples e funcional;
- Boa variedade de ambientes;
- Trilha sonora contribui para a atmosfera;
- Legacy Edition corrige e aprimora diversos aspectos do original;
- Nintendo Switch oferece uma experiência portátil bastante conveniente;
- Nintendo Switch 2 apresenta uma experiência mais fluida dentro do ecossistema Nintendo.
Pontos negativos
- Gráficos claramente datados;
- Animações envelhecidas;
- Inteligência artificial inconsistente;
- Combate pode se tornar repetitivo;
- Estrutura bastante linear.
Vale a pena?!
The Lord of the Rings: War in the North – Legacy Edition é um daqueles relançamentos que fazem mais sentido pelo jogo que estão resgatando do que pela quantidade de mudanças realizadas.
A base continua sendo a mesma: um RPG de ação linear, simples, direto e bastante focado no combate. Algumas mecânicas envelheceram, a inteligência artificial continua irregular, os gráficos deixam claro que estamos diante de uma produção de 2011 e o combate poderia ser mais refinado. Mas existe uma identidade muito clara aqui. A história paralela aos acontecimentos da trilogia funciona. Os três protagonistas possuem diferenças suficientes para tornar a progressão interessante, enquanto o cooperativo continua sendo um dos grandes diferenciais da experiência.
A possibilidade de alternar entre os personagens durante a campanha solo também é uma adição bastante bem-vinda e ajuda a tornar a aventura mais dinâmica. No Nintendo Switch, a portabilidade transforma o jogo em uma opção bastante conveniente. No Nintendo Switch 2, essa proposta ganha ainda mais força.
A maior fluidez, os recursos adicionais e a possibilidade de jogar tanto na televisão quanto no portátil fazem com que um RPG originalmente preso à geração do PlayStation 3 e Xbox 360 encontre um espaço curioso em um console moderno.
War in the North não é o retorno triunfal de O Senhor dos Anéis aos videogames, ele é algo mais simples: uma segunda chance. Um jogo que chegou ao mercado em uma época complicada, ficou escondido pela sombra de um gigante e passou anos praticamente esquecido. Quinze anos depois, recebe a oportunidade de ser descoberto por uma nova geração. E talvez essa seja a melhor maneira de olhar para The Lord of the Rings: War in the North – Legacy Edition. Não como um clássico perdido que voltou para competir com os grandes, mas como uma boa aventura que simplesmente merece ser lembrada.
No Nintendo Switch 2, especialmente, a combinação entre maior fluidez e portabilidade faz com que essa antiga aventura da Terra-média encontre uma nova casa bastante confortável.
Quer saber mais sobre o jogo, assista a gameplay feita pelo Mr. Shina!
The Lord of the Rings: War in the North – Legacy Edition - Nintendo Switch 2
Nota Final
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Gráficos - 9/10
9/10
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Jogabilidade - 9/10
9/10
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História e Diversão - 10/10
10/10
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Áudio e Trilha Sonora - 8/10
8/10
VOTAÇÃO POPULAR ➡️
0 (0 votes)CONSIDERAÇÕES FINAIS
No Nintendo Switch 2, especialmente, a combinação entre maior fluidez e portabilidade faz com que essa antiga aventura da Terra-média encontre uma nova casa bastante confortável.
































