BGS 2026 teve bons jogos e oportunidades, mas a segurança deixou a desejar

A Brasil Game Show 2026 teve problemas, mas dizer que a feira foi ruim não corresponde à experiência que tive por lá. Apesar das críticas que circularam sobre a edição deste ano, encontrei uma quantidade interessante de jogos para testar, estandes de diferentes empresas e oportunidades de conversar com pessoas importantes da indústria e da comunidade gamer.

 

 

Um dos pontos que mais gostei foi a variedade de jogos disponíveis. Pude experimentar Crazy Taxi World Tour, que me surpreendeu pela dinâmica, pela diversão e pelo desafio. O jogo tem um ritmo muito bom e me deixou com vontade de ver como será sua versão final. Também testei Persona 4 Reload, que apresentou um visual bonito e cenas em estilo anime que ajudam a deixar a experiência mais fluida e dinâmica. Mesmo tendo jogado por pouco tempo, foi possível perceber o cuidado visual colocado nessa nova versão.

 

 

Outro destaque foi Star Fox. Gostei bastante da experiência, embora ainda não tenha um Nintendo Switch 2 para continuar acompanhando o jogo de perto. A feira também contou com títulos da Nintendo, incluindo jogos de Mario e Donkey Kong Bananza, além de diversas experiências espalhadas pelos estandes. Entre as empresas presentes, tivemos Sega, Devolver Digital, com diferentes jogos disponíveis para teste, e outras marcas que trouxeram novidades para o público. Shadowverse: Worlds Beyond também me chamou a atenção, com uma experiência que considerei muito interessante.

 

A presença de simuladores, fliperamas e espaços dedicados a diferentes estilos de jogos ajudou a diversificar a feira. Também tivemos iniciativas como a KOCCA, instituição sul-coreana que promove a indústria cultural do país, trazendo títulos para apresentar ao público brasileiro. Outro momento que vale destacar foi conhecer o trabalho da Smile One com a Triple, uma proposta de modelagem com inteligência artificial que despertou minha curiosidade. Além de conhecer a tecnologia, tive a oportunidade de entrevistar a equipe e entender melhor o que eles estão desenvolvendo.

 

 

A BGS também foi importante para o meu trabalho como criador de conteúdo e jornalista. Durante o evento, entrevistei Coelho do Japão, Kuroda, do Tokusatsu.com.br, Zalcman, CEO da PlayTV, Yu, do Final Fantasy Brasil, e a equipe da Triple. Foram conversas interessantes que renderam conteúdo e permitiram conhecer melhor diferentes projetos e pessoas da comunidade. As entrevistas estão sendo trabalhadas separadamente, então vale acompanhar as próximas publicações.

 

Apesar de tudo isso, a experiência não foi livre de problemas. Minha principal crítica está na segurança e na forma como o acesso da imprensa foi tratado em determinadas situações. Em pleno 2026, considero necessário rever alguns procedimentos, principalmente quando falamos de profissionais credenciados que estão no evento para trabalhar.

 

 

Na sexta-feira, por exemplo, o calor estava forte e fui obrigado a descartar meu desodorante durante a revista de segurança. Entendo que um evento desse porte precisa estabelecer regras para proteger o público, mas acredito que seja possível encontrar alternativas mais adequadas para itens de higiene pessoal. Quem está ali para entrevistar convidados, conversar com representantes de empresas e produzir conteúdo precisa ter condições mínimas para cumprir sua função com conforto e apresentação adequados.

 

Outro episódio que me incomodou aconteceu quando um influenciador aguardava o público que estava reunido para encontrá-lo diminuir. Durante esse período, profissionais de imprensa foram impedidos de passar pela segurança, mesmo tendo compromissos de trabalho. Houve pessoas que acabaram perdendo reuniões e precisaram dar uma volta para conseguir chegar à sala de imprensa.

 

Não considero correto que o trabalho de outros profissionais seja prejudicado dessa maneira. Se existe uma situação que exige controle de público, a organização precisa encontrar uma solução que proteja todos os envolvidos sem bloquear o acesso de quem está ali para cumprir uma agenda profissional. Também acredito que criadores de conteúdo precisam ter responsabilidade com as comunidades que construíram. Quando alguém reúne fãs em um evento, é importante tratar essas pessoas com respeito e buscar uma maneira segura e organizada de lidar com a situação.

 

 

A estrutura da imprensa, por outro lado, funcionou bem na minha experiência. Nossa sala era um espaço adequado para trabalhar, e a recepção por meio da área B2B ajudava a manter uma rotina profissional durante a feira. O que não entendi foi a retirada do coquetel oferecido à imprensa na sexta-feira e no sábado, que deixou de acontecer no domingo e na segunda-feira. Não sei qual foi o motivo da mudança, mas é um detalhe que chamou minha atenção.

 

Também houve comentários sobre a quantidade de estandes e a iluminação de algumas áreas. Na minha percepção, porém, a feira tinha bastante coisa acontecendo. A praça de alimentação estava enorme, havia lojas, espaços de jogos e atrações para diferentes públicos. Por isso, não acho justo resumir a edição à ideia de que faltaram jogos ou de que o evento estava vazio. A experiência que tive mostrou justamente o contrário, ainda que existam pontos que poderiam ser melhor planejados.

 

No fim, saio da BGS 2026 com uma impressão positiva sobre os jogos, as entrevistas e as oportunidades que a feira proporcionou, mas com críticas claras à segurança e ao controle de acesso. O evento teve conteúdo e momentos que valeram a visita. Isso não significa ignorar os problemas, e sim reconhecer que uma edição pode ter boas atrações e, ao mesmo tempo, precisar melhorar em aspectos importantes.

 

A BGS continua sendo um espaço relevante para a comunidade gamer brasileira. Espero que as próximas edições consigam preservar o que funcionou bem e rever os procedimentos que prejudicaram o trabalho de profissionais credenciados. Afinal, uma boa feira não depende apenas dos jogos apresentados, mas também da maneira como recebe e trata quem faz parte dela.

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Moacir Gaboni Neto

Meu nome é Moacir Gaboni Neto e sou criador de conteúdo e cosplayer no canal AllGaboni. Produzo vídeos, lives e podcasts focados em cultura pop oriental no geral — games, animes, tokusatsu, TCG e tudo que envolve esse universo. Como cosplayer, também levo essa paixão para os eventos e para a prática, vivendo de perto os personagens que fazem parte dessa cultura. Trago minha visão de forma direta, com opinião sincera e baseada na minha própria experiência. Meu objetivo é informar, analisar e conversar com o público de maneira clara, valorizando tanto os lançamentos quanto as obras que marcaram época.