Desenvolvido pela Ephemera Games e publicado pela Whitethorn Games, Kernel Hearts é um RPG de ação com elementos roguelite que mistura combates hack and slash, fantasia sombria e estética de anime. Disponível para PC via Steam e Epic Games Store, além de consoles, o jogo coloca o jogador no controle de garotas mágicas que precisam escalar a Torre de Babel e enfrentar criaturas angelicais para tentar salvar a humanidade.
Com uma proposta que combina referências religiosas, transformações mágicas e um mundo devastado pelas cinzas, o título apresenta uma identidade visual interessante. Entretanto, apesar das boas ideias, alguns problemas de execução impedem que a experiência alcance todo o seu potencial.
Graças a Assessoria de Imprensa da Whitethorn Games podemos jogar Kernel Hearts na versão para PC. Esta gameplay pode ser vista ao final deste artigo.
Uma fantasia sombria com personalidade
A narrativa de Kernel Hearts apresenta um mundo à beira do colapso, no qual a humanidade precisa enfrentar forças celestiais. Para isso, a unidade M.A.H.O.U. parte em uma jornada pela Torre de Babel, enfrentando inimigos cada vez mais perigosos.
O contraste entre as protagonistas, inspiradas no universo das garotas mágicas, e os cenários decadentes é um dos principais diferenciais da aventura. A combinação de anime, fantasia apocalíptica e referências religiosas ajuda a estabelecer uma identidade própria, distante da fantasia medieval tradicional.
A história funciona como motivação para avançar, mas divide espaço com a estrutura roguelite. O foco está nas expedições, nos combates e na evolução das personagens, de modo que quem procura uma aventura centrada em longas sequências cinematográficas pode encontrar uma experiência diferente da esperada.
Combate: boas ideias, execução irregular
O sistema de combate combina ataques leves e pesados, esquivas e habilidades especiais. A proposta é oferecer confrontos dinâmicos, nos quais o jogador precisa reconhecer os movimentos dos adversários e encontrar oportunidades para atacar.
A variedade de habilidades permite experimentar diferentes estratégias, e os confrontos contra chefes oferecem objetivos que vão além de eliminar inimigos comuns. Quando as mecânicas funcionam em conjunto, o jogo consegue demonstrar seu potencial como RPG de ação.
O problema está na consistência. A resposta dos comandos, algumas animações e a leitura dos ataques inimigos podem prejudicar a fluidez das batalhas. Em um gênero que depende de precisão e agilidade, essas falhas comprometem a satisfação dos confrontos.
Outro ponto de atenção é a resistência de determinados adversários. Algumas lutas se prolongam excessivamente, tornando a repetição mais evidente e diminuindo o impacto dos golpes. O combate tem uma base interessante, mas precisa de ajustes de balanceamento e refinamento técnico para funcionar como deveria.
Progressão roguelite e personalização
A aventura é estruturada em expedições pela Torre de Babel. Durante cada tentativa, o jogador enfrenta inimigos, coleta recursos e procura melhorias para facilitar os desafios seguintes. Morrer e recomeçar faz parte do ciclo de progressão.
Ao retornar ao laboratório, é possível utilizar os recursos obtidos para aprimorar as personagens. Um dos principais sistemas envolve chips equipáveis, que permitem personalizar atributos e habilidades, incentivando a experimentação de diferentes configurações.
A mecânica acrescenta uma camada estratégica à experiência, mas a progressão nem sempre oferece recompensas proporcionais ao esforço. Algumas melhorias parecem discretas, e a repetição das incursões pode tornar o avanço cansativo.
A pressão do tempo durante as expedições também influencia o ritmo, incentivando decisões rápidas, mas limitando a exploração. O desafio está em encontrar o equilíbrio entre urgência, liberdade e recompensa, algo fundamental para manter o interesse em um jogo roguelite.
Personagens, transformações e cooperação
As protagonistas Fernet, Spika, Laika e Dolce integram a unidade M.A.H.O.U. e ajudam a definir a identidade do jogo. Fernet é a personagem inicial, enquanto as demais podem ser desbloqueadas durante a progressão.
As transformações mágicas são um dos elementos mais característicos da experiência. Ao liberar seu poder, a personagem assume uma forma especial e pode executar um ataque devastador, combinando espetáculo visual e vantagem ofensiva.
Fora das batalhas, também existem interações com personagens do mundo, incluindo a possibilidade de oferecer presentes para aprofundar vínculos. Esses momentos acrescentam variedade ao ciclo de expedições.
Outro destaque é o modo cooperativo para até quatro jogadores. Jogar com amigos permite coordenar habilidades e enfrentar os desafios em grupo, tornando a experiência mais interessante para quem prefere aventuras multiplayer. Ainda assim, a cooperação não elimina as limitações do sistema de combate.
Gráficos e direção de arte
A direção de arte é um dos pontos fortes de Kernel Hearts. O contraste entre o visual estilizado das protagonistas e os ambientes sombrios contribui para a identidade do universo, enquanto os efeitos mágicos reforçam o espetáculo durante as batalhas.
A Torre de Babel funciona como o principal símbolo da jornada, e a presença de criaturas angelicais ajuda a sustentar a atmosfera apocalíptica.
Apesar disso, algumas animações não transmitem o impacto esperado, e o excesso de efeitos durante os confrontos pode dificultar a identificação dos movimentos inimigos. São limitações que afetam não apenas a apresentação, mas também a clareza da jogabilidade.
Trilha sonora e efeitos sonoros
A trilha sonora acompanha a atmosfera dramática da aventura, alternando entre momentos de exploração e confrontos mais intensos. Os efeitos sonoros também são importantes para transmitir o impacto das habilidades e reforçar a sensação de força dos ataques.
O áudio contribui para a ambientação, embora não compense as inconsistências encontradas no combate. Em um jogo tão dependente da ação, a combinação entre animações, efeitos sonoros e resposta dos comandos precisa funcionar de maneira coesa.
A Interface e legendas em português brasileiro. A localização é especialmente positiva para o público nacional. Embora o jogo não conte com dublagem em português, as legendas facilitam o acompanhamento dos diálogos e dos sistemas de progressão.
Essas configurações indicam que não é necessário possuir um computador de última geração para executar o jogo. Entretanto, os requisitos não garantem uma taxa de quadros específica nem asseguram desempenho estável em todas as situações.
Como os confrontos podem reunir vários inimigos e efeitos simultaneamente, a experiência depende também da otimização e da configuração utilizada. Por isso, vale acompanhar as atualizações e os relatos de desempenho antes da compra.
No conjunto, a versão Steam se destaca pelos recursos da plataforma e pelo suporte ao português brasileiro. Para quem joga no PC, é uma opção prática, embora as limitações de combate e progressão devam ser consideradas.
E as versões para consoles?
Além do PC, o game está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2.
As versões de console oferecem uma alternativa para quem prefere jogar fora do computador. No caso do Nintendo Switch 2, a possibilidade de jogar em modo portátil é um atrativo adicional.
Sem testes comparativos diretos, porém, não é possível afirmar diferenças precisas de resolução, taxa de quadros ou qualidade gráfica entre as plataformas. A escolha depende principalmente da preferência do jogador e do dispositivo que já possui.
Pontos positivos
- Direção de arte que combina anime e fantasia sombria;
- Premissa narrativa original;
- Sistema de personalização por meio de chips;
- Transformações mágicas com impacto visual;
- Modo cooperativo para até quatro jogadores;
- Interface e legendas em português brasileiro.
Pontos negativos
- Combate que precisa de mais refinamento;
- Problemas de resposta dos comandos e leitura dos ataques;
- Inimigos resistentes que podem tornar as batalhas cansativas;
- Progressão que nem sempre recompensa o esforço;
- Repetição das expedições pode comprometer o ritmo;
- Algumas animações e efeitos prejudicam a clareza visual.
Vale a pena?!
O jogo tem uma proposta capaz de despertar a curiosidade de quem gosta de RPGs de ação, animes e experiências roguelite. A combinação de garotas mágicas, fantasia sombria e uma jornada para desafiar forças celestiais oferece personalidade, enquanto a personalização e o modo cooperativo ampliam as possibilidades de jogo.
O principal obstáculo está na execução. O combate, que deveria ser o grande destaque, apresenta inconsistências que prejudicam a fluidez, enquanto a progressão poderia oferecer recompensas mais significativas para incentivar novas expedições.
O suporte ao português brasileiro e os recursos da plataforma tornam o jogo mais acessível ao público nacional. Ainda assim, vale considerar as limitações da jogabilidade e acompanhar possíveis atualizações.
Para quem valoriza ambientação, personagens estilizados e partidas cooperativas, Kernel Hearts pode ser uma opção interessante. Já os jogadores que priorizam um combate preciso e uma progressão bem equilibrada podem preferir esperar por novos ajustes.
Kernel Hearts apresenta uma identidade visual marcante e boas ideias, mas ainda precisa aprimorar o combate e a progressão para alcançar todo o seu potencial. A versão de PC via Steam é uma alternativa atraente para conhecer o projeto, embora a experiência seja prejudicada por problemas que impedem o jogo de se destacar tanto quanto poderia.
Quer saber mais sobre o jogo, assista a gameplay feita pelo Mr. Shina!
Kernel Hearts - PC
Nota Final
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Gráficos - 9/10
9/10
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Jogabilidade - 7/10
7/10
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História e Diversão - 7/10
7/10
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Áudio e Trilha Sonora - 9/10
9/10
VOTAÇÃO POPULAR ➡️
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Kernel Hearts apresenta uma identidade visual marcante e boas ideias, mas ainda precisa aprimorar o combate e a progressão para alcançar todo o seu potencial.



































