Para apreciadores de games da Quantic Dream, empresa de David Cage, tomar decisões em jogos com enredos rebuscados, complexos, é um passeio no parque. Conheci seus jogos através de Fahrenheit: Indigo Prophecy, no PlayStation 2, em meados de 2007, e me apaixonei por sua forma de conduzir histórias e de decisões com múltiplos finais. Podemos adicionar a eles, também, Heavy Rain, Beyond: Two Souls e, por fim, o último lançamento Detroit: Become Human. Todos contando com personagens muito bem construídos, tramas bem amarradas, múltiplos finais. Em uma toada muito parecida, mas com estrutura de visual novel, tive a oportunidade de jogar Neve, um game brasileiro que te coloca no papel da capitã Jasmina, presa em uma câmara de criossono após a colisão de sua nave-cargueiro, a Argo, no planeta Lemnos, tentando encontrar uma forma de voltar à Terra.
O estúdio brasileiro Ritus Studios anunciou que NEVE, o seu thriller futurista com base em escolhas de tirar o fôlego, já está disponível no PC (via Steam).
Gostaríamos de agradecer a equipe de Assessoria de Imprensa da Ritus Studios por disponibilizar uma cópia do game na versão de PC via Steam para realização desta análise.
Imersivo até o limite
Uma das coisas que me surpreendeu logo no início do game é a forma como ele busca te envolver. Para quem está habituado a games do gênero (eu joguei poucos, como Steins: Gate e Code: Realize – Guardian of Rebirth, ambos no PlayStation Vita) sabe que a imersão nesse estilo está muito centralizada no mistério, no texto bem escrito, no traço e, principalmente, na trilha.
Neve se utiliza de imagens quase estáticas e menus de opções para colocar o jogador em grande parte do tempo preso a uma câmara criogênica e, conversando com uma inteligência artificial que administra os recursos finais da nave, busca uma solução para escapar desse planeta remoto. A sensação de desconforto é latente, de forma que você pode sentir a agonia da protagonista buscando encontrar alternativas já que sua câmara está trancada e seu oxigênio possui apenas uma hora de duração até que ela seja asfixiada pelo gás carbônico produzido pela respiração.
Como sempre, o cinema é a inspiração
O game da Ritus Studio, estúdio brasileiro situado em Goiânia/GO, conta com a arte de Michelle Santos, criadora do estúdio, bebe em fontes como Alien e Prometheus. Não conheço a artista pessoalmente, mas diria que ela é fã de carteirinha de Ridley Scott, criador da icônica franquia de filmes. Outra inspiração clara, ao meu ver, é o filme O enigma de outro mundo (The Thing), por se passar em um planeta gelado, buscando uma ambientação semelhante.
Podemos ver também essa questão nas próprias relações estabelecidas com as outras tripulantes da nave, Hilas e Atalanta, de personalidades muito distintas, e que dão um tom de thriller psicológico à aventura.
Um game cheio de dilemas morais
Como era de se esperar, em uma obra do tipo, é importantíssimo o seu desdobramento através dos relacionamentos estabelecidos. Enquanto Hilas é tremendamente receosa, temerosa, Atalanta já é mais experiente, debochada, e parece conhecer o caminho das pedras. Na tentativa de ajudar Jasmina a sair da câmara e colocar a Argo para funcionar e voltar para a Terra, você terá várias conversas envolvendo temas como família, trabalho excessivo, confiança, traição, e tudo isso dá um tom incrível à história. Aqui, fica um tremendo elogio para a direção de arte do game e sua trilha sonora, pois realmente é agonizante ficar preso dentro daquela cápsula vendo os esforços das outras astronautas, enquanto você fica apenas delegando ordens e dialogando com uma IA.
Em vários momentos sua idoneidade é colocada em cheque, e cabe a você decidir se irá ou não contar a verdade aos outros personagens, algo que torna a experiência no game ainda mais interessante, já que tais decisões acarretam em consequências futuras, e também aumentam ou diminuem a sua afinidade com as parceiras de nave.
Veredito
Fiquei encantado com Neve, recomendo demais que vocês o joguem. Atmosfera muito imersiva, temas interessantes que bebem em fontes consagradas, além do adendo de ser um jogo tupiniquim. Ao meu ver, é interessante e importante valorizar o trabalho de nossos artistas e desenvolvedores, ainda mais quando se trata de algo com extrema qualidade. Vá sem medo, é possível encontrar o game na Steam, e garanto que não irão se arrepender.
Quer saber mais sobre o jogo, assista a gameplay feita pelo Riris!
Neve - PC
Nota Final
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Gráficos - 6/10
6/10
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Jogabilidade - 7/10
7/10
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História e Diversão - 10/10
10/10
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Áudio e Trilha Sonora - 9/10
9/10
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Fiquei encantado com Neve, recomendo demais que vocês o joguem. Atmosfera muito imersiva, temas interessantes que bebem em fontes consagradas, além do adendo de ser um jogo tupiniquim.




























