Quando um jogo indie chama atenção pela proposta e identidade visual, naturalmente atraímos olhares curiosos. Millennium Runners, disponível na Steam e desenvolvido pelo estúdio Commodore Industries, distribuído pela Over The Game, entrou nesse cenário como uma promessa promissora: combinar estilo visual arrojado com mecânicas intensas de corrida e combate.
Testado em um PC com 16 GB de RAM, Ryzen 7 5700G e RX 6700 XT 12 GB, o jogo entrega brilho estético e boa ambição de gameplay, mas esbarra em sérios problemas de otimização que transformam a experiência em uma montanha-russa técnica.
Esta análise detalha esses contrastes, celebrando o que funciona, criticando o que trava e oferece uma avaliação honesta para jogadores que estão pensando em embarcar nessa aventura.
Graças a Assessoria de Imprensa da Commodore Industries podemos jogar Millennium Runners para PC. Esta gameplay pode ser vista ao final deste artigo.
Millennium Runners impressiona logo ao iniciar, o uso de paletas vibrantes, efeitos de iluminação e cenários detalhados mostra que a equipe de arte teve cuidado em criar um mundo atraente. Texturas bem trabalhadas, animações fluidas das naves de corrida e efeitos de partículas contribuem para um visual que, em fotografia estática ou trailer, rivaliza com muitos títulos AAA. Mesmo em movimento, sem considerar o desempenho, a direção de arte é um ponto forte: há personalidade no design, desde os cenários urbanos futuristas até os detalhes visuais das naves.
- Ponto Fortíssimo: O visual é um dos melhores que vimos em produções independentes recentes.
A trilha sonora de Millennium Runners combina batidas eletrônicas com ambientações mais imersivas nas fases exploratórias. Os efeitos sonoros acompanham bem as mecânicas das naves, ambiente e habilidades têm impacto sonoro coeso. O jogo cria bons momentos de imersão graças à sua ambiência sonora, e isso ajuda a manter o jogador ligado mesmo quando a performance técnica começa a falhar.
Em termos de gameplay, Millennium Runners acerta ao fornecer os controles responsivos, variedade de naves e obstáculos, progressão que incentiva repetição e power-ups e habilidades que adicionam estratégia de corrida. O jogo combina elementos de corrida futurista e espacial com a exploração das pistas, resultando em uma jogabilidade que é boa, viciante e divertida, pelo menos em seu núcleo. Se não fosse pelos problemas de desempenho, seria fácil recomendar a base de gameplay sozinha.
Aqui chegamos ao ponto mais crítico e mais frustrante da análise. Apesar de toda a sua qualidade visual e mecânica, Millennium Runners sofre com severa falta de otimização de performance. Testado em um PC capaz de rodar qualquer jogo (16 GB de RAM, Ryzen 7 5700G e RX 6700 XT com 12 GB de VRAM), o jogo apresentou o uso excessivo de memória RAM, frequentemente chegando a 99 % do total da memória. Isso não é apenas um número em uma barra de desempenho, é a causa direta de stuttering recorrente, quedas dramáticas de FPS, travamentos temporários em cenas intensas e congelamentos durante as gravações da gameplay. Enquanto jogando casualmente o desempenho já era instável, a situação piorou ainda mais durante a gravação da gameplay, indicando que a sobrecarga de memória é real e impacta atividades paralelas que muitos jogadores realizam hoje em dia (como registrar suas sessões para criar conteúdo).
O que isso significa? Mesmo em máquinas dentro das recomendadas, com hardware recente e potente, o jogo luta para gerenciar recursos de forma eficiente, comprometendo a experiência e colocando em xeque a promessa de fluidez.
Embora não tenhamos acesso ao código do jogo, os sintomas apontam para problemas comuns de otimização como gerenciamento de memória deficiente, o consumo de RAM se aproxima de 16 GB constantes, algo que não acontece em títulos visualmente semelhantes. Isso sugere problemas como vazamentos de memória (memory leaks), carga excessiva de ativos em background e falta de streaming de texturas eficiente.
A RX 6700 XT com 12 GB de VRAM poderia facilmente lidar com os gráficos do jogo, mas isso não está refletindo em desempenho estável. Isso indica que mais do que GPU, a maneira como o jogo empurra dados para a GPU e memória está comprometendo performance. Com um processador como o Ryzen 7 5700G, esperaríamos melhor distribuição de carga entre CPUs, mas o jogo parece não aproveitar plenamente múltiplos núcleos, agravando gargalos.
Ao comprar Millennium Runners, muitos jogadores esperam um visual moderno, jogabilidade fluida e ação intensa durante as corridas e o que encontramos foi um visual impressionante, mecânica divertida e criativa, performance inconsistente, uso de memória que impede fluidez e travamentos em momentos críticos. Para jogadores com PCs modestos, a experiência pode ser simplesmente frustrante. Para quem grava conteúdo, o impacto é ainda maior.
Millennium Runners brilha pela identidade visual e pela jogabilidade promissora. O estúdio Commodore Industries mostrou talento criativo e uma visão clara de estilo. Mas a falta de otimização de performance, especialmente o uso excessivo de memória RAM mesmo em um hardware poderoso, compromete o que poderia ser um dos grandes sucessos indie. Esperamos que atualizações e patches corrijam esses problemas, porque no estado atual, o potencial do jogo está sendo prejudicado por limitações técnicas que afastam grande parte do público. Principalmente quem tem um PC mais modesto.
Confira a gameplay realizada pelo canal Com Noção de Millennium Runners abaixo:
Millennium Runners - PC
Nota Final
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Gráficos - 10/10
10/10
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Jogabilidade - 2/10
2/10
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História e Diversão - 5/10
5/10
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Áudio e Trilha Sonora - 9/10
9/10
VOTAÇÃO POPULAR ➡️
0 (0 votes)CONSIDERAÇÕES FINAIS
Millennium Runners entrega corridas arcade antigravidade eletrizantes, cruzando cidades futuristas e circuitos extraterrestres com visual impressionante e identidade forte. A alta velocidade e o estilo vibrante mostram um enorme potencial criativo do estúdio. Entretanto, a otimização compromete a experiência, com uso excessivo de memória RAM e travamentos constantes. Se receber melhorias técnicas, pode se tornar uma referência no gênero hoje, é um ótimo conceito limitado por problemas de performance.



























