Análise do filme Insaciável, em cartaz nos cinemas brasileiros

No dia 27 de julho, fomos convidados pela Diamond Filmes para uma cabine de imprensa exclusiva, e conferirmos o filme Insaciável. Agradecemos muito o convite. Em Insaciável acompanhamos a vida de Hana, uma estudante de medicina que quer emagrecer a todo custo e acaba tomando o caminho mais curto. O filme estreou dia 6 de agosto nos cinemas.

 

 

Insaciável impressiona desde do início a começar pelo seu pôster, e as vezes o cartaz é tudo que eu vejo antes do filme. Quando vi a composição dele, tomei um susto, não entendi muito bem o que ele queria dizer, mas ele claramente me causou um desconforto, e me trouxe um questionamento, será que esse filme só se trata de alguém com muita fome?

 

A trama gira entorno de Hana, uma estudante de medicina que passa por problemas com a balança e com transtornos alimentares, e ao encontrar uma amiga de infância, parece finalmente encontrar uma saída, essa amiga diz que emagreceu milagrosamente graças a uma pílula que permite que ela coma de tudo, deixando Hana intrigada e tentada.

 

 

Mas antes de mergulhar nessa loucura, Hana como estudante de medicina investiga a composição do medicamento e fica chocada ao descobrir que o medicamento é feito a base de cinzas humanas. Será que Hana vai deixar a obsessão pelo corpo perfeito a vencer?

 

 

Insaciável aborda temas relevantes e atuais, como obsessão pelo corpo perfeito, transtornos alimentares, problemas familiares, e até a pressão pelos padrões da sociedade. E apesar do toque de terror, o principal foco continua sendo a critica social, se assemelhando bastante com A Substância.

 

Entretanto, o terror do filme apresenta uma figura “fantasmagórica”, que causa medo, da sustos, e cria um ambiente de constante tensão, convivendo com a protagonista, a consumindo dia a dia. Mas isso se equilibra, e até intensifica a obsessão estética de Hana, parecendo que o “monstro” só está dando tudo que ela sempre quis, mesmo que isso a leve ao limite.

 

Nossa protagonista, apesar de sofrer com a pressão e a obsessão por um corpo perfeito, não se resume a isso. Hana carrega traumas familiares, questões mal resolvidas com o pai e uma baixíssima autoestima, chegando a fazer de tudo para conquistar sua crush, mesmo que isso lhe custe muito. Por isso, acho errado dizer que ela é uma protagonista rasa ou fútil: Hana é uma mulher traumatizada, tentando encontrar seu lugar na sociedade e buscando se encaixar.

 

Suas relações também têm bastante peso. A mãe mantém uma boa relação com ela, enquanto seu pai é um homem doente que precisa de cuidados. O filme inicialmente esconde o que realmente acontece com ele e, quando finalmente revela, muita coisa passa a fazer sentido, trazendo uma das reviravoltas da história. Hana também não está completamente sozinha. Ela possui um círculo de amigos que a aceita e uma melhor amiga com papel importante na trama. Mas a relação que mais se destaca é com Alanya, a personal trainer por quem Hana é apaixonada e que acaba se tornando parte dessa busca pelo corpo perfeito.

 

 

E quando Hana finalmente consegue se aproximar dela, aquilo que deveria parecer um sonho realizado se torna cada vez mais complicado. Alanya percebe que existe algo errado, tanto pela magreza repentina de Hana quanto por suas atitudes, criando alguns dos conflitos mais interessantes entre as duas.

 

No geral, os personagens funcionam bem e ajudam a complementar a história, embora alguns sejam tão pouco desenvolvidos que acabam quase esquecíveis. Mas é Hana quem realmente carrega o filme, e acompanhar suas escolhas, relações e principalmente as consequências delas é o que torna a personagem tão interessante.

 

 

O terror apesar de ser um dos pontos altos do filme não é o que rouba a cena, ele mais que se equilibra e se complementa a critica social, aos traumas familiares e transtornos alimentares da personagem.

 

A Big Bertha que é o demônio “obsessor” de Hana, começa inicialmente como uma válvula de escape e até solução de seus problemas. Mas de acordo que Hana vai emagrecendo, e conquistando a vida “dos sonhos”, o demônio também vai ficando cada vez mais forte. O que parecia ser antes apenas uma presença (Berta, pode ser vista através de objetos sempre no apartamento de Hana), vai tomando mais ações, como mover objetos, causar pesadelos em Hana, persegui-la e até possuir seu corpo, fazendo-a esquecer e apagar em certos momentos.

 

 

 

Apesar dessa figura aterrorizante, o mais assustador não é Bertha estar ligada a Hana e sempre a perseguir, e sim ela olhar para Bertha e ver o que ela pode se tornar se não “se cuidar”. E por isso esse “demônio” é tão assustador. Hana não tenta se livrar de Berta em nenhum momento, isso só muda quando sua vida está em risco, isso porque Bertha deu o que ela sempre quis.

 

O terror está nessas nuances, é óbvio que tem alguns momentos de jumpscare, perseguições e tensão, mas o verdadeiro terror está nos traumas psicológicos e em questões mal resolvidas da protagonista.

 

Insaciável trabalha com um ritmo que alterna constantemente entre momentos mais calmos, nos quais Hana parece recuperar algum controle sobre sua vida e seu corpo, e outros muito mais intensos, quando ela precisa lidar com as consequências de suas escolhas e controlar o monstro que agora faz parte de sua vida.

 

 

 

Essa alternância funciona porque o filme consegue transitar entre diferentes tipos de terror. Temos perseguições, perigo e momentos sobrenaturais, mas também um terror muito mais psicológico, relacionado à compulsão, à autoestima e à obsessão de Hana pela própria aparência. O sobrenatural acaba funcionando quase como uma extensão dos conflitos que ela já carregava antes. Essa mistura entre body horror, assombração e questões psicológicas é realmente uma das características centrais do filme.

 

E é justamente Hana que mantém a história interessante. Mesmo quando a narrativa desacelera, existe a curiosidade de descobrir até onde ela está disposta a ir para conseguir o corpo e a vida que acredita desejar — e, principalmente, qual será o preço disso.

 

Talvez o único problema seja que o filme repete algumas situações ao longo de suas quase duas horas, principalmente no segundo ato, e algumas delas poderiam ser mais enxutas. Ainda assim, comigo, essa mistura entre drama, terror e a transformação de Hana foi suficiente para manter o interesse até o final.

 

Em relação aos aspectos técnicos Insaciável soube trabalhar bem com cada um deles causando desconforto, medo e tensão quando foi necessário.

 

 

 

A fotografia sabe perfeitamente transmitir a ideia de algo claustrofóbico, onde Hana fica sendo comprimida, isso tudo pra nos causar desconforto. O som do filme é um ponto alto, onde abusa de barulhos de comida, mastigação, barulhos de corpos, fazendo um momento tão prazeroso como comer se tornar algo asqueroso, o que torna um excelente complemento ao filme e também amplifica a tensão.

 

Trilha sonora ajuda bastante na criação do terror sobrenatural e também na ampliação dos transtornos alimentares, como a compulsão de Hana. Mas o que carrega o filme nas costas são os efeitos práticos e maquiagem, já que vemos uma Hana com sobrepeso chegar a magreza extrema, e o mesmo pode se dizer de todas as aparições de Bertha, durante o filme. Isso tudo balanceando efeitos práticos e completando com VFX.

 

E fechando com chave de ouro, a direção soube reunir muito bem todos esses elementos causando terror, tensão e desconforto no espectador, tanto visualmente como sonoramente. E outro ponto interessante é que Natalie Erika James criou quatro estágios da Bertha, mostrando sua evolução de acordo com que Hana emagrecia, como que enquanto uma perdia peso a outra ganhava força e domínio, criando um contraste poderoso entre elas.

 

O final é o aquele que fica aberto a interpretações, onde o filme cria toda uma expectativa de ir por um caminho até enganando o espectador (eu inclusa), o que torna tudo bem mais interessante e não trata quem o assiste incapaz de entender seu final e tirar suas próprias conclusões. O desconforto, a tensão e o terror se estende até a conclusão mantendo sua proposta forte até o fim.

 

 

 

E a pergunta que fica é será que Hana se livrará do seu monstro obsessor e alcançará seu tão sonhado corpo? Ou ela sera vencida pela sua “fome”? E são com essas questões que o filme aborda até o fim.

 

O ponto forte continua sendo a critica social do filme, que se estende desde de traumas familiares (nascidos na infância/adolescência), transtornos alimentares e a obsessão pelo corpo perfeito. E isso tudo reflete em Hana uma mulher que só tem quilos as mais, mas tem tanto medo de ser gorda ou nunca ser magra, que acaba tomando caminhos perigosos.

 

 

O filme vale a pena para todos que curtem uma boa narrativa, uma pitada de terror e uma boa critica social, temas relevantes e atuais, e claro amantes de terror e Substância.

 

Insaciável estreou 6 de agosto nos cinemas brasileiros. Confira o trailer abaixo:

 

 

 

Agradeço novamente a Diamond Filmes pelo convite da cabine de imprensa.

 

 

Insaciável - Em cartaz nos cinemas brasileiros
Nota Final
8/10
8/10
  • Ideia e Roteiro - 8/10
    8/10
  • Fotografia, Figurino e Efeitos Visuais - 8/10
    8/10
  • Áudio e Trilha Sonora - 8/10
    8/10
  • Adaptação e Atuação - 8/10
    8/10
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Insaciável tem uma critica social forte, personagens interessantes, uma protagonista bem desenvolvida e com profundidade claro o terror não fica atrás. Fica difícil ver seus pontos fracos.

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Dark

Criadora de conteúdo gamer, streamer e apaixonada por jogos. RPGs, indies e jogos com uma boa história são meu mundo. Estou sempre por dentro e acompanhando tendências do mundo geek. Faço lives, crio conteúdo, então sempre me verá nas redes sociais.