Na vasta trajetória do universo dos videogames, é muito comum termos jogos retratando eventos históricos. Um deles, com certeza é a Segunda Guerra Mundial. Games como Medal of Honor, Call of Duty, Battlefield, entre outros, relataram de maneira mais cinematográfica, e até um tanto superficial, as mazelas de um conflito em escala global. Um evento que causa muitos danos e poucos ganhos, por sinal, deixando pessoas à deriva da civilização, sem contar a quantidade incontável de pessoas que morrem sem uma razão justificável.
Porém, a Primeira Guerra Mundial, evento de escala global que ocorreu entre 1914 e 1918 possui muito menos registros no universo dos videogames. Eu mesmo só me recordo de ter jogado o maravilhoso Valiant Hearts: The Great War (Ubisoft, 2014), um game em 2D lançado no centenário do evento, lembrando do grande mal da guerra e da resiliência humana em meio a tanta dor e destruição.
Agora, temos a companhia de mais um jogo a se passar nesse período histórico: The Caribou Trail, um game em primeira pessoa com foco em narrativa, que retrata a Campanha de Galípoli, que retrata o conflito entre soldados britânicos e turcos, que culminou na conquista da Colina Caribou, que dá nome ao jogo. Caribou, para quem não sabe, é a famosa rena, animal que existe tanto na América do Norte quanto na Europa. Porém, rena é seu nome europeu, enquanto caribou é seu nome americano.
The Caribou Trail foi desenvolvido pela Unreliable Narrators e Manavoid Entertainment e lançado pela Unreliable Narrators e Indie Asylum no dia 14 de maio para PlayStation 5 e PC via Steam.
Gostaríamos de agradecer a equipe de Assessoria de Imprensa da Unreliable Narrators por disponibilizar uma cópia do game na versão de PC via Steam para realização desta análise.
Um game sobre a guerra, mas sem conflito
Diferentemente de outros jogos no estilo (ainda mais se tratando de visão em primeira pessoa), nesse game a nossa missão não é de atirar na maior quantidade de soldados possível, buscando os próximos checkpoints do mapa. Nós vivenciamos muito mais a rotina dos soldados do que qualquer outra coisa. Entregar correspondências, utilizar enxadas para cavar os espaços nos cemitérios, cozinhar, ouvir os relatos de pessoas que sentem falta de casa e possuem alguma esperança de retornar dão a tônica do game, fazendo com nossos três protagonistas (Fisher, Gordon e Lonnie) desenvolvam o relacionamento e direcionem o drama da história vivida no game.
Como a análise é focada no que o game entrega, e não em si em contar todo o enredo, há alguns pontos importantes a serem observados a seguir, pois acho importante ser sincero em um jogo com essa estética.
Inspiração cinematográfica
No final da década passada, tive a oportunidade de assistir a um filme com minha esposa (éramos noivos na época) e, ao jogar The Caribou Trail, o filme me veio imediatamente à memória: 1917. Se você não assistiu, recomendo fortemente, pois se trata de um dos grandes momentos que vivi nos cinemas nos últimos anos. Gosto muito de assistir filmes, e esse entrega uma grande história e grandes atuações, pra ficarem guardadas na memória.
A semelhança se dá pelo mesmo motivo mencionado no tópico anterior. São duas obras que tratam a guerra, mas sob a óptica de pessoas que são “comuns”, que não estão no conflito para disparar, lutar ou ceifar vidas. Estão ali para, sim, cumprir missões, mas de uma maneira não convencional ao que se vê nos jogos e filmes. É como se víssemos a guerra por um aspecto quase “logístico”, em que se contempla muito mais o cotidiano do que os momentos de confronto.
Isso nos trará um bônus e um ônus, que é o motivo do nosso próximo ponto.
Educativo, porém, lento
Eu tenho fascínio por jogos e filmes que contam aspectos históricos, mesmo que mesclados à ficção. Obviamente, não presenciamos a maioria esmagadora desses eventos e, ter um mísero vislumbre sob a perspectiva de outras pessoas gera reflexão, compreensão, e todas essas coisas são boas ao meu ver, tanto como pessoa como jogador.
O que pode, inicialmente, iludir algumas pessoas, é o fato de que um game de guerra com visão em primeira pessoa remete, impreterivelmente, a uma estética clássica de jogo de guerra. Quem vai ao jogo esperando por isso irá se decepcionar bastante, já que o game tem foco total na narrativa do grupo.
Outra coisa que pode afugentar desavisados é que, assim como a vida cotidiana, as coisas no game tem um ritmo lento, demoram a se desenvolver. O HUD é mínimo, você possui um mapa e uma bússola, e o resto está por sua conta. Eu curti muito isso, mas sei que alguns não gostarão, já que estamos imersos em games de HUDs extremamente explicativos, apontadores no mapa e cenário, tinta amarela por todos os cantos “pegando na mão do jogador”.
Não me entendam mal, pois gostei muito do jogo! Porém, a impressão que ele passa é um tanto errônea de início, e você não pode iniciar a jogatina imaginando se tratar de um game comum do gênero narrativo de guerras. Ele não te conduz, deixa as coisas ao seu ritmo, sempre deixando claro que a vivência dentro do ambiente do jogo é a coisa mais importante da gameplay. Sabendo disso, o game pode ser, sim, monótono para você. A gameplay não é longa, chegando a 8 horas para os mais lentos.
Tecnicamente, deixa muito a desejar
Aqui entra, realmente, um aspecto do game que eu não gostei. Apesar de ter um som primoroso, desde efeitos, diálogos e trilha sonora, o visual do jogo não me cativou. O visual cartunesco é simplificado em demasia, e o game tenta transmitir sentimentos e emoções que os personagens tecnicamente não conseguem entregar.
A questão da performance não é crucial, já que o jogo tem visuais simples, então você não precisa deixar todos os atributos em ultra para desfrutar de uma boa experiência no game. Só não consigo entender o motivo de um jogo desse ter sido feito em Unreal Engine e eu, mesmo usando a melhor placa da AMD da atualidade, precisei de XeSS (o único escalonador disponível nativamente, tanto que instalei o Optiscaler depois) ligado para conseguir deixar o jogo em resolução máxima. Acho inadmissível um jogo desse calibre exigir tanto poder para se aproveitar a experiência plena. Porém, não devo ser injusto, isso não mudou significativamente os visuais, que já entregam praticamente tudo que podem em configurações mais modestas.
Veredito
The Caribou Trail vence muito quando o quesito é contar uma boa história e desenvolver relacionamentos entre os personagens, sejam eles protagonistas ou não. Mas, infelizmente, possui problemas no ritmo da proposta, sendo muito mais contemplativo do que interativo. Se você gosta de jogos que priorizam mais enredo que gameplay, é sua praia. Agora, se você quer atirar e jogar granadas, eu recomendo outras experiências mais diretas.
Quer saber mais sobre o jogo, assista a gameplay feita pelo Riris!
The Caribou Trail - PC
Nota Final
-
Gráficos - 6/10
6/10
-
Jogabilidade - 5/10
5/10
-
História e Diversão - 8/10
8/10
-
Áudio e Trilha Sonora - 8/10
8/10
VOTAÇÃO POPULAR ➡️
0 (0 votes)CONSIDERAÇÕES FINAIS
The Caribou Trail vence muito quando o quesito é contar uma boa história e desenvolver relacionamentos entre os personagens, mas, possui problemas no ritmo da proposta, sendo muito mais contemplativo do que interativo.






























