Dia 23 de abril fomos convidados pela Diamond Films para uma cabine de imprensa exclusiva para assistir o filme Hokum: O Pesadelo da Bruxa, novo lançamento de terror protagonizado pelo grande Adam Scott (Ruptura). Na trama, acompanhamos um escritor que com questões mal resolvidas, acaba sendo assombrado por uma bruxa. O filme chega oficialmente dia 21 de maio de 2026 para as telinhas brasileiras.
O filme conta a história de Ohm Bauman (Adam Scott), um escritor que acaba indo se refugiar em um hotel isolado na Irlanda para realizar o último desejo dos pais. Mas não apenas isso Ohm está também passando pelo processo de luto, tentando lidar com tudo que aconteceu, e nisso acaba parando nesse hotel e conhecendo Fiona (um dos melhores personagens desse filme), ela é o primeiro contato dele com as lendas e folclore local da cidade.
Ela também conta um fato interessante que existe uma tal “suíte de núpcias” que é o local da bruxa e que essa bruxa vive lá aprisionada, e o melhor ninguém vai lá. E como um bom cético Ohm debocha e até ri das crenças da moça. Em outro momento o mensageiro conta a ele um dia que foi no andar da bruxa, e que foi “atacado” por ela e novamente Ohm mostrando seu total descaso com o sobrenatural e as lendas locais.
Fica claro que Ohm está passando por um momento conturbado, tanto pelas questões dos pais, como também pelos seus escritos que ele mostra para Fiona, onde vemos que refletem sua falta de esperança na vida, nas pessoas ou de qualquer coisa boa. Ela até brinca que ele está criando uma história horrível por não ter um final feliz, e ele fala que isso fica pros filmes, denotando como seu emocional está quebrado. O tom pesado e mórbido do filme fica claro desde do início, criando uma atmosfera de desgraça eminente.
Outro ponto bem abordado é a relação de Ohm com os pais e como é conturbada, ele conta que a mãe foi assassinada, e o culpado era “muito novo” para ser pego, (causando estranheza e questionamento) e consequentemente seu pai acabou se afundando no alcoolismo e falecendo também. Esse diálogo é outro momento que o filme deixa claro que tem algo de errado com nosso escritor, mal resolvido e reforça o tom mórbido da trama. Essas informações apesar de não parecerem tão importante no momento, são abordadas mais profundamente e tem desenvolvimento no decorrer do filme.
Esse é um dos pontos fortes do filme o drama “ironicamente”, apesar do filme ser vendido como um terror onde seremos atormentados por uma bruxa (e somos mesmo), isso só é possível e até se torna mais interessante por conta do drama que acompanha o protagonista.
Ohm é um escritor levemente bem sucedido, mas é alguém totalmente quebrado mentalmente, muito frágil e perdido, tanto pela morte dos pais, como traumas e questões mal resolvidas. O filme trabalha com maestria esse drama, nos apresentando um personagem interessante, incompleto, cheio de questões internas, e que sabe nos cativar, sem falar na atuação do grande Adam Scott. E no decorrer do filme, esse drama se intensifica sabendo dosar bem entre o drama, o terror e até momentos de desenvolvimento e enfrentamento do protagonista.
E usando dessa fragilidade, questões mal resolvidas e traumas que a bruxa entre em ação, e como nosso protagonista é um prato cheio nesse quesito não é difícil dela entrar na mente dele, e ela usa de jogos psicológicos para entrar na mente do Ohm, assumindo formas de pessoas queridas ou coisas que atormentam seu subconsciente. Claro que como todo bom monstro ela começa de forma sutil, uma porta batendo, uma luz apagando, um vulto. Mas com decorrer do filme e dos acontecimentos, ela vai adentrando cada vez mais a mente e os traumas do nosso escritor, o fazendo enfrentar seus maiores traumas e medos. E o filme acaba revelando por que ele é tão quebrado e perdido.
Tudo começa a desandar quando depois de dar um fim digno as cinzas dos pais, Ohm bebe um por além da conta e atormentado pela bruxa, acaba chegando ao limite e tenta tirar a própria vida, mas Fiona percebendo que havia algo errado acaba o salvando.
Dias depois ele acorda no hospital e percebe que Fiona está desaparecida e que o hotel está fechado, sem aceitar o sumiço da amiga e se unindo a Jerry (o mendigo top) , ele começa uma busca incessante dentro do hotel tentando descobrir o que houve com a Fiona, e acaba por ter que enfrentar a bruxa e seus próprios demônios internos.
Hokum tem direção e roteiro de Damian McCarthy que anteriormente trabalhou em Esquisitice (2024). A direção do filme não é ruim, criando um protagonista que nos prende e que é interessante, além de ter um desenvolvimento excelente.
Os pontos altos também estão presentes na atuação de alguns personagens como Fiona, Ohm e Jerry que levam a história para frente. Sem falar o protagonista que carrega o filme nas costas, e também por sua grande carga emocional. O longa saber equilibrar terror e drama muito bem, podendo agradar ambos os públicos.
Por se tratar de um filme de terror, ele se perde um pouco na proposta já que traz drama e terror de forma equilibrada o filme todo, causando uma quebra de expectativa para os fãs. O monstro por sua vez, não é muito interessante, ela brinca com a culpa e traumas do personagem, levando ao limite e claro dando bons sustos, mas é facilmente vencida se você seguir, rituais, ciclos e não entrar no caminho dela. Infelizmente algumas atuações e personagens são totalmente esquecíveis.
Mas no geral Hokum: O Pesadelo da Bruxa vale a pena, tanto pelas atuações do trio que faz a história andar, como também pelo filme abordar bem o drama e o terror, trazendo alguns temas bem pesados. No fim você não saberá se sairá com medo ou emocionado pelo seu desfecho, isso é um diferencial.
Hokum: O Pesadelo da Bruxa chega dia 21 de maio nos cinemas brasileiros. Confira o trailer dele abaixo:
Agradeço novamente a Diamond Films pelo convite de cobrir essa pré-estreia.
Hokum: O Pesadelo da Bruxa - Em cartaz nos cinemas brasileiros
Nota Final
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Ideia e Roteiro - 7/10
7/10
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Fotografia, Figurino e Efeitos Visuais - 7.5/10
7.5/10
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Áudio e Trilha Sonora - 7/10
7/10
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Adaptação e Atuação - 8/10
8/10
VOTAÇÃO POPULAR ➡️
0 (0 votes)CONSIDERAÇÕES FINAIS
Hokum é um filme que brilha muito nas suas atuações, desenvolvimento de personagens e questões internas, e sabe equilibrar terror e drama muito bem.






























