Análise do filme Balística, disponível no Adrenalina Pura+

Fomos convidados dia 05 de agosto pela Atomica Lab para uma cabine virtual exclusiva para conferir o filme Balística. Na trama acompanhamos Nance que trabalha em uma fábrica produzindo munições para armas. Ela descobre que seu filho foi morto na guerra e entra em choque quando percebe que o próprio filho pode ter sido morto pelas próprias munições que fábrica. Balística esta disponível desde do dia 6 de agosto no Adrenalina Pura+.

 

 

Em Balística acompanhamos Nance Refield que é interpretada pela gigante Lena Headey (Cersei – GOT), que diga-se de passagem é uma das melhores atuações do filme, se não a melhor. Nance trabalha em uma fábrica produzindo munições para armas, e se comunica via chamada de vídeo com seu filho que está em missão no Afeganistão todos os dias, até que o pior acontece, seu filho morre.

 

 

Sem entender ou aceitar muito bem a morte de seu filho, ela entra em uma jornada buscando respostas e tentando entender o porque seu filho morreu e qual bala foi utilizada para matá-lo. Isso porque Nance além de ser uma fabricante de balas, sabe o destino das balas e isso a faz se fazer a pergunta mais cruel de todas : Será que a bala que matou seu filho foi fabricada por suas próprias mãos?

 

Isso faz com que Nance passe por um processo de luto agressivo, em vez de lidar com seus sentimentos buscando consolo e até um grupo de ajuda que é presente no filme, ela busca o caminho contrário: O DA VINGANÇA. E mesmo que não tenha um culpado propriamente dito, ela tenta encontrar um.

 

 

 

Ela começa uma investigação, primeiramente tentando descobrir o calibre da bala, depois traça uma linha de todo o caminho que essa “bala” percorreu e todas as pessoas e possíveis culpados que poderiam ser responsáveis pela morte de seu filho. Do recrutador ao seu próprio chefe, do governo até os próprios militares, até o único cara que quis ajudá-la, por ter descendência do Afeganistão.

 

 

No fim Nance fica nessa corda bamba, entre buscar uma vingança e a culpa de perder seu único filho, ao mesmo tempo que tenta lidar com seus sentimentos e atravessar o processo de luto. Mas o pior acontece quando ela entende que não exista um único culpado. O que existe é todo um sistema militar e capitalista, onde todos esses personagens fazem parte.

 

Esse sistema vem da própria cultura armamentista dos Estados Unidos e possui raízes tão profundas que se torna difícil apontar um único culpado. O comércio de armas, munições e equipamentos militares movimenta enormes interesses econômicos, ao mesmo tempo que se relaciona com conflitos e interesses e interesses institucionais. Dentro dessa engrenagem, vidas humanas acabam reduzidas a números, e é justamente isso que acontece com o filho de Nance : ele se torna apenas uma baixa.

 

 

 

Nesse sistema, não importa vidas, histórias, sentimentos ou identidades. O importante é que aquela engrenagem continua a rodar, e se ela parar de rodar, será substituída facilmente por outra. E é por isso que nossa protagonista está lutando contra forças muito maiores que ela, transformando sua busca por justiça em uma batalha quase impossível.

 

 

Existem recrutadores, guerra e interesses institucionais que fazem a morte de seu filho parecer apenas mais uma consequência dessa estrutura. E ai que Nance enfrenta seu maior impasse, será que ela será capaz de aceitar que seu filho só foi mais um peão nesse grande engrenagem do capitalismo militar, ou ela ainda buscará justiça? E ai está a maior ironia nisso tudo é que em vez dela odiar essas armas, elas também irá utilizar dessa violência para lidar com seu luto.

 

 

A ação também é um elemento presente no filme, porque além de acompanharmos uma mãe passando pelo luto após perder seu filho, Nance também é uma mulher que tem um conhecimento sobre armas, munições e equipamentos militares. O próprio ambiente presente ao seu redor trata essa questão de armamento e violência como algo natural e corriqueiro.

 

 

Mas a ação não é colocada de forma gratuita e jogada. Vemos Nance uma mãe sofrendo, mas também uma fabricante de munições, que decide sair da posição de vítima e tomando a frente da situação, buscando respostas e querendo vingança. E nem tudo se resume a tiroteios e sequências frenéticas. Ela se arma, planeja, treina, e se prepara até finalmente chegar o confronto.

 

 

Como dito anteriormente, porém, não existe apenas um culpado para apontar a arma e sair atirando, o que tem é um sistema bem estruturado e difícil de quebrar. Por isso, o filme entrega apenas pequenos momentos de explosão de um mãe consumida pelo luto e pelo desejo de vingança. São sequências pontuais e rápidas que funcionam como uma consequência dessa jornada do que como grandes espetáculos de ação.

 

 

O “confronto final” acompanha essa mesma proposta e conclui a trajetória de Nance, fechando o clico de fúria, raiva, culpa e a vontade de se vingança que ela carregou o filme todo. Isso deixa claro que o foco nunca esteve em oferecer ação desenfreada, mas em utilizar essa violência como parte da carga dramática de uma mãe tentando lidar com a perda do próprio filho.

 

A premissa começa como qualquer história de vingança : somos apresentados a uma mãe que se sente injustiçada e perdida por perder seu único filho e parte em busca de respostas. Apesar de clichê, o filme nos prende pela ótima atuação de Lena Headey, que carrega essa trajetória com maestria. A investigação também desperta curiosidade e instiga o espectador, equilibrando o processo de luto, vingança de Nance com uma boa critica social acerca da cultura armamentista.
Infelizmente pela grande ênfase dada à personagem de Lena, praticamente todo o restante do elenco acaba parecendo apagado ou descartável. Kahlil é um dos poucos que consegue alguma relevância, principalmente por funcionar como um contraponto ás atitudes de Nance.

 

 

O ritmo do filme também não é dos melhores, Balística se vende como um filme de ação, mas sua narrativa está muito mais focado no drama. E por mais que a investigação seja interessante e aborde um tema relevante, às vezes se torna maçante acompanhar as idas e vindas emocionais de Nance. Algumas de suas atitudes chegam causar incômodo, principalmente quando ela desconta sua raiva em pessoas que tentam ajudá-la, mesmo que seja algo compreensível.

 

 

Tecnicamente, o filme não se destaca muito em nenhum aspecto específico. A fotografia traz uma atmosfera mais sóbria, enquanto o posicionamento da câmera evita transformar os poucos confrontos em grandes espetáculos de ação. A violência ganha impacto justamente por aparecer em momentos pontuais, funcionando muito mais como consequência do drama vivido pela protagonista. Não existe nenhum grande espetáculo visual, mas os aspectos técnicos cumprem bem sua função, complementando o drama e reforçando a atmosfera do filme.

 

 

No final das contas, Balística está longe de ser um filme ruim. Lena Headey carrega a produção com ótima atuação, dando força à jornada de uma mãe consumida pelo luto e busca por respostas. Ao misturar drama, pequenas doses de ação e uma crítica à cultura armamentista dos EUA, o filme consegue fugir de uma história de vingança completamente genérica e construir uma protagonista humana e fácil de compreender.

 

 

Por outro lado, o restante do elenco fica apagado. A ação é bem menor do que a divulgação pode fazer parecer e, apesar de levantar uma crítica social relevante, o filme poderia explorar melhor algumas das discussões que apresenta. O ritmo também e pode tornar a experiência um pouco cansativa em determinados momentos.

 

Ainda assim, Balística vale a pena principalmente para quem procura um drama sobre luto e vingança com algumas doses de ação, e não necessariamente um filme de ação desenfreada. Não é uma experiência memorável, mas seus pontos positivos são suficientes para fazer a jornada de Nance valer a pena.

 

Balística já esta disponível no Adrenalina Pura+ desde do dia 6 de agosto. Confira o trailer abaixo:

 

 

Balística - Adrenalina Pura+
Nota Final
6/10
6/10
  • Ideia e Roteiro - 7/10
    7/10
  • Fotografia, Figurino e Efeitos Visuais - 5/10
    5/10
  • Áudio e Trilha Sonora - 5/10
    5/10
  • Adaptação e Atuação - 7/10
    7/10
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Balística não é o melhor dos filmes, mas apresenta uma premissa interessante, uma ótima atuação de Lena Headey e uma excelente discussão acerca da cultura armamentista. Apesar de seus problemas, ainda é uma experiência que vale a pena.

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Dark

Criadora de conteúdo gamer, streamer e apaixonada por jogos. RPGs, indies e jogos com uma boa história são meu mundo. Estou sempre por dentro e acompanhando tendências do mundo geek. Faço lives, crio conteúdo, então sempre me verá nas redes sociais.