Nesse ano de 2026, a franquia Resident Evil, uma das mais famosas da história dos videogames, completa 30 anos. A Capcom, distribuidora do jogo, nos preparou uma enxurrada de fanservice, e nos traz o nono episódio numerado da série, que já conta com mais de 30 games ao longo do tempo. Nessa análise, enfatizaremos os pontos positivos e negativos, sem spoilers sobre o game.
Resident Evil Requiem já está disponível PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox Series X|S e PC via Steam, entrelaçando o destino de dois protagonistas – Grace Ashcroft e Leon S. Kennedy – em uma investigação sobre uma série de mortes estranhas que pode levar à revelação da verdade por trás do infame Incidente de Raccoon City de 1998.
Nada é tão velho, nada é tão novo
Apesar de ser um game novo da franquia, nos deparamos com muitas semelhanças que ficam visíveis logo no início. O fato de jogarmos com dois personagens com backgrounds totalmente distintos, faz com que experimentemos duas gameplays igualmente diferentes.
Grace Ashcroft, filha de Alyssa Ashcroft (essa última, personagem jogável do multiplayer online Resident Evil Outbreak, de PlayStation 2), é uma agente de escritório do FBI que se depara com uma situação de enfrentamento com seu passado. Por ser uma agente inexperiente na questão de campo, é com ela que vivenciamos os elementos mais clássicos de survival horror do game. Munição escassa, sensação de impotência, situações de movimentação furtiva, os famigerados “hit kill”, o backtracking na exploração circular dos ambientes. Praticamente tudo com a federal novata nos remete ao princípio da saga de zumbis mais famosa dos videogames. Inclusive, em minha opinião, os momentos com ela são o ápice do game.
Já Leon Scott Kennedy… ah, o Leon! Desde seu debute em Resident Evil 2 (1998), seu protagonismo é o principal responsável pela cizânia entre os fãs antigos da saga. Resident Evil 4 (2005) é um marco dos games de ação em terceira pessoa, tanto na questão técnica quanto na direção de arte, porém, dividiu a fan base ao mudar totalmente o foco do game que, antes baseado em exploração e puzzles, agora tomaria um rumo muito mais focalizado no combate e na ação desenfreada. Gosto de ambos, porém, confesso que o combate tira um pouco do brilho da franquia. Em Requiem, Leon está com 50 anos – já que o game se passa em 2026 – e, ainda assim, brilha como um superstar de Hollywood. Seus momentos no game são responsáveis tanto pelo apelo nostálgico quando pela seção “tiro, porrada e bomba” que a franquia passou a nos proporcionar há vinte anos. São duas maneiras diferentes de jogar o game, mas que se complementam, e tornam a gameplay o grande chamariz do jogo, como deve ser em um videogame.
Inspirador e, no fim, inspirado
Uma das coisas que os jogadores mais experientes no gênero irão reparar é o fato de que a Capcom, empresa japonesa que é referência em toda a indústria há pelo menos 40 anos, há certo tempo passou a implementar elementos estéticos e mecânicos de outras franquias em seus jogos. Assim como Resident Evil 5 (2009) se inspirou em Gears of War (2006), um dos principais filhos de RE4, Requiem se inspira muito em Outlast (2013) para consolidar a gameplay de Grace, por exemplo. Não é a única inspiração, mas se nota que há uma retroalimentação no estilo, já que se trata de um nicho muito específico.
Não considero a medida ruim, até porque a empresa é uma das mais antigas e mais influentes, não são poucos os casos de jogos que “clonam” IPs famosas da empresa, como Street Fighter, por exemplo. Mas se nota que a franquia não é mais absoluta na referência, e tem incorporado bons elementos de seus concorrentes para se reafirmar e proporcionar a seus fãs novos ares.
Um deleite audiovisual
Além da gameplay extremamente desenvolvida e envolvente, a parte técnica do jogo não poderia ficar de fora de alguma menção. O som é ponto crucial no estilo, e isso o game faz com maestria. Trilha sonora mesclada a urros de criaturas “semimortas” (ou seria “semivivas”? Eu sei, foi péssima…), sons de tiros, ou até mesmo o silêncio, são coisas que a direção do game sempre soube fazer com maestria, mesmo com a clássica e quase artesanal trilogia clássica da segunda metade dos anos 90. Quem joga frequentemente o gênero, sabe que a ambientação é tudo em um jogo gênero, e Requiem não decepciona.
Sobre os gráficos, eu suspeito dizer que, nesse exato momento, trata-se do game mais bonito que já joguei. Essa análise diz respeito à versão PC, mas já tive a oportunidade de observar gameplays no PlayStation 5, PlayStation 5 Pro, Xbox Series X e Nintendo Switch 2. Mesmo com as diferenças técnicas em cada plataforma, sendo melhor no PC e pior no NS2, todas são extremamente competentes na parte visual.
No PC, utilizei uma AMD Radeon RX 9070 XT, configurações todas no máximo, exceção às sombras, que deixei no médio para garantir uma fluidez considerável no jogo, garantindo a imersão, os sustos e as respostas às situações. Uma coisa que percebi não haver no meu hardware, mas vi em hardwares da NVidia foi o suporte a Path Tracing (um primo meu possui uma RTX 4060 Ti e a feature estava disponível por lá), possuindo apenas dois níveis de Ray Tracing. O jogo ficou absurdamente lindo, mas gostaria de ver como se comportaria com um nível a mais de tratamento nos raios de luz. Minha primeira experiência com tal tecnologia foi em Resident Evil 2 Remake (2019), quando comprei minha RTX 3060, e me recordo de como foi gritante a diferença visual, mesmo com uma máquina mais simples. Hoje, com o topo da AMD, não me vejo mais jogando algo do gênero sem tal tecnologia funcionando, pois torna a experiência muito mais imersiva, dando mais contraste entre ambientes claros e escuros, potencializa o uso das lanternas e nos deixa muito mais apreensivos em situações de impotência, típicas do jogo.
Agora vem a colcha de retalhos
Porém, nem tudo são flores em RE9. Desde sua gênese, a franquia nunca foi um primor de enredo, coisa acontece em concorrentes como Metal Gear Solid e Silent Hill (ambos da Konami), Final Fantasy (Square Enix) e The Witcher (CD Projekt Red). Porém, houve sempre bom senso e o jogo parecia coeso em sua mitologia e sua dose de sci-fi.
Em RE9, com a premissa de agradar tanto os fãs antigos quanto os novos, a Capcom decidiu optar por um roteiro repleto de retcons e reviravoltas mas, ao meu ver, o tiro saiu pela culatra. Grande parte do declínio do game, incluindo a gameplay, se dá na metade final do jogo, onde você passa a jogar a homenagem da Capcom, e logo se percebe que ela não encaixa com o resto do jogo. Minha ideia não é dar spoilers do game mas, na medida do possível, mostrar que ficar querendo reescrever, reeditar o que já era dado como consumado na série, leva a experiência mais para baixo do que para cima. São tantos absurdos na história, que eu conseguiria triplicar o artigo só buscando defeitos nesse aspectos. Se nota uma falta de criatividade, um apelo desmedido para a questão sentimental de quem vivenciou o auge dos jogos anteriores, mas que dificilmente funcionará com fãs mais exigentes, ou minimamente mais conectados à lore da série.
Como qualquer episódio da franquia, o fim é um começo
Sempre que se fala de Resident Evil, o que acaba marcando bastante é o pós-jogo. Minigames, DLCs, campanhas adicionais sempre permearam os jogos, e com Requiem não poderia ser diferente.
A Capcom já anunciou conteúdo adicional mas, mesmo nos dias iniciais do game, você vai perceber que a ponta do iceberg realmente esconde muito conteúdo. Armas, dificuldades adicionais, arquivos, finais alternativos, há muito conteúdo para experimentar. Para os que são fãs de desafios, jogar na dificuldade mais alta trará bons momentos de frustração, tentativa e erro.
O caminho para a famosa platina, ao contrário, é um dos mais fáceis da série, sendo possível fazer em poucas jogadas. O mais legal mesmo ficará para os “corredores”, já que uma das características da franquia sempre foi atrair os speedrunners, jogadores que procuram terminar o game no menor tempo possível, cumprindo algumas exigências específicas, como não usar armas infinitas, ou apenas algum set de armas.
Veredito
Apesar da experiência um tanto frustrada quanto ao roteiro do jogo, videogames ainda são, acima de tudo, jogados. E, nesse aspecto, Resident Evil Requiem brilha muito, muito mesmo! O recomendo para fãs antigos e pessoas que nunca jogaram, pois é uma experiência marcante na história atual dos videogames, simplesmente viciante. Não será incomum você querer refazer trechos com mais eficácia, economizando munição, sendo furtivo, sendo mais rápido. A Capcom é uma softhouse japonesa e, como bons japoneses, pensam em um game voltado à jogatina e performance do jogador. Deliciem-se!
Quer saber mais sobre o jogo, assista a gameplay feita pelo Riris!
Resident Evil Requiem - PC
Nota Final
-
Gráficos - 10/10
10/10
-
Jogabilidade - 9.5/10
9.5/10
-
História e Diversão - 8/10
8/10
-
Áudio e Trilha Sonora - 9.5/10
9.5/10
VOTAÇÃO POPULAR ➡️
0 (0 votes)CONSIDERAÇÕES FINAIS
Resident Evil Requiem é recomendado para fãs antigos e pessoas que nunca jogaram, pois é uma experiência marcante na história atual dos videogames, simplesmente viciante.




























