Março foi aquele tipo de mês que deixa fã de tokusatsu ligado o tempo todo. Antes mesmo do mês acabar, já tinha final de série, anúncio de evento, revelação de projeto novo e novidade importante envolvendo Ultraman. Foi uma sequência de notícias que movimentou bastante a comunidade e deu assunto de sobra para quem acompanha esse universo mais de perto.
Entre os destaques, tivemos o encerramento de Tojima quer ser um Kamen Rider e também de Garo: Sentinel of the East, duas obras que geraram comentários por motivos bem diferentes. Ao mesmo tempo, o anúncio de Gavan G-Raya abriu discussão entre os fãs, enquanto o Anime Friends começou a reforçar ainda mais o espaço do tokusatsu dentro do evento. E, para completar, a Tsuburaya já começou a aquecer as comemorações dos 60 anos de Ultraman com collabs e a divulgação inicial de Ultraman Theo.
Tojima quis brincar com o fã de tokusatsu e isso dividiu opiniões
Tojima quer ser um Kamen Rider talvez tenha sido uma das obras mais curiosas desse período. A animação tem uma arte bonita, boas cenas e uma proposta diferente do que muita gente imaginou quando viu o título pela primeira vez. Em vez de tentar ser um anime de Kamen Rider, ela prefere brincar com o imaginário do fã, principalmente daquele que cresceu assistindo às séries da era showa e carrega isso até hoje com muito apego.
A história trabalha justamente essa ideia de gente que envelheceu, entrou na vida adulta, mas continua emocionalmente presa àquilo que marcou sua infância. E faz isso com humor, referências e também com algumas situações que acabaram gerando polêmica. Parte do público comprou a ideia, entrou na proposta e se divertiu. Outra parte rejeitou completamente.
No meu caso, achei que a série funciona melhor quando a pessoa entende que ela não quer ser uma homenagem literal ao herói, mas sim ao fã que vive esse amor pelo tokusatsu até hoje. Tem referência, tem exagero, tem provocação e tem umas escolhas meio tortas também, mas ainda assim é uma obra que sabe o que quer fazer.
Muita gente esperou uma coisa e recebeu outra. Acho que boa parte da rejeição veio daí. Só que, olhando pelo que ela realmente entrega, Tojima consegue ser divertida, diferente e até interessante em vários momentos. Não é um anime perfeito, mas também passa longe de ser esse desastre que alguns pintaram.
Garo encerrou mais uma jornada com visual forte e clima melancólico
Do outro lado, Garo: Sentinel of the East fechou sua exibição deixando aquela sensação de despedida amarga, mas no bom sentido. A série foi exibida gratuitamente no YouTube com legendas em português e trouxe mais um recorte da jornada de Dogai Ryuga ao lado de Rian, dentro de uma história que mistura sentimentos, dever e legado.
A trama coloca Ryuga em busca de Rian por causa da purificação da armadura de Garo, mas o caminho até isso vai se cruzando com novos conflitos, criaturas perigosas e tensões envolvendo o passado, a fé e a sucessão dentro daquele universo Makai. O peso maior da história acaba ficando nas escolhas de Rian, que vive o dilema entre o que sente e aquilo que precisa assumir como parte de sua responsabilidade.
Visualmente, a série continua muito forte. Os cenários chamam atenção, os efeitos funcionam bem e as coreografias seguem sendo um dos maiores destaques. Tem ali aquela identidade clássica de Garo que os fãs já conhecem bem, com o toque artístico que ajuda a obra a se manter única dentro do tokusatsu.
O final me deixou triste, mas não porque tenha sido ruim. Muito pelo contrário. Foi mais aquela tristeza de terminar algo que ainda parecia ter fôlego para mais. E quando uma série consegue causar isso, é porque ela acertou em alguma coisa.
Anime Friends entendeu que tokusatsu também movimenta público
Outro ponto que chamou atenção em março foi como o Anime Friends segue fortalecendo o tokusatsu dentro do evento. Já não parece mais algo jogado na programação só para agradar um grupo específico. Hoje existe um esforço mais visível para tratar esse conteúdo como parte importante da experiência do festival.
O sucesso das atrações recentes mostrou isso com clareza. Shows, convidados, painéis e anúncios ajudaram a trazer de volta aquele sentimento de celebração em torno do gênero, mas também serviram para aproximar gente nova. E isso é importante, porque tokusatsu não sobrevive só de nostalgia. Ele precisa continuar encontrando público.
Pensando em 2026, os anúncios já começaram a render assunto. A presença de Yasuhisa Furuha, o Go-On Red de Go-Onger, é um exemplo disso. É um nome curioso, principalmente porque Go-Onger nunca foi uma série tão forte entre os fãs do Ocidente e nem chegou oficialmente ao Brasil. O que muita gente conhece mesmo é Power Rangers RPM, que seguiu um caminho bem diferente da obra original.
Mesmo assim, é uma escolha interessante. Mostra que o evento está disposto a sair do óbvio e testar outros nomes. E sinceramente, ainda acho que mais convidados de peso devem aparecer até lá.
Ultraman entrou no clima de comemoração e levantou expectativa
A Tsuburaya também não ficou parada. Com os 60 anos de Ultraman se aproximando, a empresa já começou a movimentar o público com duas novidades que chamaram atenção: a collab entre Ultraman e Gridman e os primeiros sinais de Ultraman Theo.
Ainda sabemos pouco sobre Theo, mas foi o suficiente para despertar a curiosidade dos fãs. O pouco que apareceu já serviu para gerar teoria, comentário e expectativa. Como se trata de uma série comemorativa, é natural que o público espere homenagens, referências e alguma conexão mais forte com a história da franquia.
Também teve gente falando sobre possível hiato de Ultraman, mas sinceramente eu não vejo isso acontecendo agora. A marca vive um momento muito forte, com mais alcance, mais produto, mais presença internacional e mais possibilidades de mídia. Parece muito mais um momento de expansão do que de pausa.
Março foi um retrato do bom momento do tokusatsu
No fim das contas, março foi um mês que mostrou bem a força atual do tokusatsu. Tivemos obra encerrando bem, animação gerando debate, evento apostando mais pesado no gênero e franquia histórica preparando comemoração grande. Foi um mês cheio, movimentado e, acima de tudo, vivo.
O mais legal disso tudo é perceber que o tokusatsu continua encontrando formas de seguir relevante. Seja por nostalgia, por novidade ou por curiosidade de quem está chegando agora, o gênero continua gerando conversa e mantendo uma comunidade muito ativa.
Março acabou, mas deixou a sensação de que 2026 ainda tem muita coisa para entregar.






























