Nesta quinta-feira, dia 19 de março, chega exclusivamente nos cinemas brasileiros o drama francês ENZO (Enzo), do cineasta e roteirista Robin Campillo (Garotos do Leste e 120 Batimentos por Minuto), com distribuição da Mares Filmes. O filme será lançado nos cinemas de São Paulo, Belo Horizonte, Vitória e Salvador.
Agradecemos a Assessoria de Imprensa do Mares Filmes pelo convite à Cabine de Imprensa e oportunidade de assistirmos ao longa antes do lançamento nos cinemas.
Entre os filmes que chegam fora do eixo hollywoodiano, Enzo chama atenção por apostar menos no impacto imediato e mais na construção sensível de seus conflitos. É um longa que não tenta conquistar o público pela pressa, pelos grandes acontecimentos ou por reviravoltas a cada cena. Pelo contrário: sua força está justamente em observar, com calma, o desconforto de um adolescente que já não se reconhece dentro da própria vida.
A trama acompanha um jovem de 16 anos vindo de uma família rica e bem-sucedida, mas que não enxerga sentido no caminho que esperam que ele siga. Em vez de continuar preso a esse roteiro social já desenhado, ele decide largar a escola e ir trabalhar como pedreiro. É nesse movimento que o filme começa a mostrar sua principal camada: a busca por utilidade, pertencimento e identidade. Não se trata apenas de rebeldia juvenil, mas de um incômodo mais profundo, de alguém que não consegue se enxergar ocupando o lugar que lhe foi reservado.
O início pode soar lento e até um pouco confuso para quem espera uma narrativa mais direta. Mas Enzo pede atenção aos detalhes. É um filme que trabalha muito bem os silêncios, os olhares e as pequenas rupturas dentro das relações. Aos poucos, a aparente calma vai revelando tensões bem mais complexas. Enquanto o protagonista tenta experimentar a vida a partir de outro lugar, conhecendo trabalho pesado, frustrações, desejos e novos vínculos, o filme também escancara o vazio de comunicação dentro da sua própria casa.
Esse talvez seja um dos pontos mais fortes da obra: a forma como ela retrata a família não como um espaço de acolhimento automático, mas como um ambiente onde muitas vezes faltam escuta, diálogo e compreensão real. Existe estrutura, existe conforto, existe estabilidade, mas isso não significa que exista conexão. O longa mostra com sensibilidade como alguém pode crescer cercado de privilégios e, ainda assim, se sentir completamente deslocado.
A presença do colega ucraniano amplia ainda mais essa leitura. Sem transformar esse elemento em discurso fácil, o filme encosta em temas como imigração, guerra e sobrevivência. Isso cria um contraste interessante entre o vazio existencial de quem tem tudo materialmente e a realidade dura de quem precisou fugir do próprio país. Essa relação evita simplificações e ajuda a dar peso ao percurso do protagonista.
Visualmente, Enzo também encontra força nas paisagens do Sul da França. O cenário não está ali apenas como beleza plástica, mas como parte da atmosfera do filme. Há algo de contemplativo nas imagens, mas também de concreto, de cotidiano, de vida acontecendo sem enfeite. Isso combina com a proposta do longa, que prefere observar pessoas em conflito a transformá-las em caricaturas dramáticas.
No fim, Enzo é um drama que cresce justamente porque não entrega tudo de forma mastigada. É um filme sobre juventude, classe, afeto e incomunicabilidade, construído com delicadeza e confiança no olhar do espectador. Pode não funcionar para quem busca uma narrativa mais acelerada, mas para quem aceita entrar no ritmo da obra, a experiência é recompensadora. É um filme que permanece na cabeça porque fala de dores muito íntimas sem precisar levantar a voz.
O longa Enzo já está em cartaz nos cinemas brasileiros nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Vitória e Salvador. Confira o trailer abaixo:
Enzo - Em cartaz nos cinemas brasileiros
Nota Final
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Ideia e Roteiro - 9/10
9/10
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Fotografia, Figurino e Efeitos Visuais - 7/10
7/10
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Áudio e Trilha Sonora - 8/10
8/10
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Adaptação e Atuação - 8.5/10
8.5/10
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Enzo é um filme sobre juventude, classe, afeto e incomunicabilidade, construído com delicadeza e confiança no olhar do espectador.


























